Lucas & Carol – Dia 16

DIA 16

Depois do treino, Lucas bate à casa que Carol e as amigas alugaram para o mês e Carla atende, segurando um enorme balde de pipocas.

– Oi. Hoje é dia de filme francês. – ela anuncia e dá passagem para ele.

Elas mais uma vez faziam uma sessão de filmes que já haviam assistido – Os Intocáveis, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e O Pequeno Nicolau – e ele senta ao lado de Carol no sofá.

Por mais que ele saiba que ela detesta ler as legendas, é admirável como ela fica vidrada mesmo assim na tela, como sua linguagem corporal antecipa suas partes preferidas e como ela ri com gosto junto das amigas.

Ele já havia assistido Os Intocáveis, mas era a primeira vez que via Amélie. Segundo Thalia, aquele era o filme das quatro amigas, Carol obrigara todo mundo a assistir e colocar nos favoritos.

– Por favor. – Carol interrompe. – Amélie sou eu, Amélie somos todas nós.

E elas concordam com um gesto solene de cabeça, então ele se vê obrigado a prestar atenção no que se passa na tela.
Em certo ponto, uma das personagens diz uma frase. “São tempos difíceis para os sonhadores”. Ele franze a testa e passa os dedos pelo pulso esquerdo de Carol, observando a expressão facial da garota.

Quando o filme chega ao fim, a sala está em silêncio e Lucas ouve um fungar de nariz. É tão próximo que ele nem precisa virar o rosto para ver que se trata da própria Carol. Ela dá um sorriso meio alegre, meio triste para ele e dá de ombros, antes de se levantar e ir em direção à cozinha. Ele nem espera e vai atrás, vê ela encher um copo com água da torneira e tomar dois goles. Carol ri, mas ela ainda está chorando.

– Não é o filme mais perfeito do mundo? – pergunta, se apoiando na pia. Ele se aproxima um passo.

– É bem legal.

– Sempre me faz chorar. – ela comenta e ele entorta a cabeça um pouco, confuso.

– Não entendo. Pareceu um final bem feliz para mim.

Ela ri novamente e faz que sim com a cabeça, se vira para ele.

– Eu sei. É só que… – ela respira fundo e enxuga novas lágrimas que caem. – essas coisas não acontecem na vida real. E é frustrante. Sabe? Encontrar a pessoa perfeita e se apaixonar desse jeito… – ela aponta a sala de qualquer jeito. Está chorando tanto que sua voz atinge um tom quase estridente. – A gente quer tanto que isso aconteça, mas sabe que n… – balança a cabeça em negativa. – Não na vida real, essas coisas não acontecem. Mas o filme é tão maravilhoso que não tem como não gostar.

Lucas está sério, porque o que ela diz é uma afirmação séria. Só de olhar para ela ele sabe, como soube no primeiro dia o que se passava na mente dela, que ela tinha plena certeza de que não encontraria alguém para viver esse tipo de romance, que ela tinha certeza que a vida real é zuada e triste, como se fosse incompleta.

Carol ri, tentando secar as lágrimas, parar de chorar.

– Não liga não, sou uma manteiga derretida.

É curioso, porque ele sabe que ela vem de família boa, pais presentes, bem casados, que a suportam. E mesmo assim ela não acredita em romance. Não para ela.

– Desculpa. – ela murmura. Ela olha para fora e ele fica quieto.

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4 responses to “Lucas & Carol – Dia 16

  1. Não chorei, PORÉM fiquei cheio cheia de lágrima nos zói 😐 preciso assistir Amélie logo pra entender o por quê desse chororô todo gente, pelamor.

  2. Oh Gosh! Como todas quase chorei também, romances acabam comigo e engraçado que eu penso igualzinho a Caol, é frustrante!!
    Amo a Carol, ela é tão sincera, tipo eu rs’
    E concordo com a Agatha..o Lucas não podia deixar essa escapar >.<

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