Éden – Capítulo 1

CAPÍTULO 1

Mas até que o mundo chegasse ao que é hoje, muita água rolou. Doença, guerras civis e mundiais, impunidade. Nos dias atuais, nós somos constantemente lembrados do caos que a Terra era nem tantos anos atrás.
Uma bola de ódio consumida em si mesma.
E, por mais que houvesse organizações que tentavam incitar a concordância e apaziguar zonas em eminente destruição, ninguém era capaz de criar um plano bom o suficiente para fazer dos seres humanos seres melhores.
De repente, a ciência parou de tentar descobrir qual a menor partícula do universo e começou a procurar novas respostas para velhas perguntas.
Afinal de contas, onde tudo começou? Onde fica o início do caos?

Eu, particularmente, assumo que deve ter sido doloroso da parte deles assumir isso que vou contar para vocês, mas enfim.
No final do século XXI, uma mocinha estagiária de uma universidade do interior de São Paulo que já tinha sido muito importante no cenário mundial, mas que sofria junto de todas as outras com a recessão usou esse exemplo em frente a cientistas importantes (e desesperados) de toda América:

“tomou-lhe o fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então os olhos de ambos.”

Isso mesmo, um trecho da Bíblia – tão odiada Bíblia.
A parte interessante é que ela tinha um ponto a defender. A ciência nunca encontraria respostas químicas para o início do caos, porque não foi uma mutação genética que fez o homem começar a guerra. O que fez Eva desrespeitar a única regra que ela deveria seguir foi a curiosidade. Curiosidade – ela dissera – gera conhecimento, o que é bom, mas também gera ganância – o que não é nada legal.
Ter sido curiosa abriu os olhos de Eva, mas também gerou fúria – de Deus, de seus próprios filhos.
No fim das contas, esse interesse germinou raiva e ódio em cada um de nós. E, veja bem, a história do Paraíso era apenas um exemplo, mas vamos parar para pensar. Se o Jardim do Éden era considerado um mundo perfeito, você consegue imaginar o que fazia dele tanta perfeição?
Aquela estagiária tinha uma resposta bem simples: inocência.

No fim desse discurso motivacional, os outros cientistas acharam a historinha legal e tal, mas apontaram que ela não respondia porcaria nenhuma, visto que “inocência” não era uma coisa alcançável; eles provavelmente estavam perdendo um tempo precioso rodando numa rua sem saída.
Por sorte (deles, talvez), a garota não havia terminado. Num tom prepotente, ela perguntou o que se aproximava da inocência sem dificuldade e com eficiência semelhante? Amor. Em sua mais pura forma – amar os raios de sol ao nascer do dia, as gotas de chuva na estiagem, o filho recém nascido.
Se havia uma coisa que o mundo carecia, com certeza era de amor.

Eu não sei – e sei que deveria saber, mas não poderia me importar menos – quem foi o sujeito que achou esse discursinho careta a coisa mais genial da atualidade, mas a ideia colou. Os cientistas – que já não estavam mesmo cumprindo com o seu papel – passaram a desenvolver uma tecnologia capaz de engatilhar uma “amorosidade coletiva”.
Seus protótipos foram testados em ratos, coelhos, macacos, até nos seres humanos mais horríveis do universo (ditadores políticos, presos violentos). Ninguém iria ligar se alguns desses tipos morressem, porque era em prol de um mundo melhor.
Em quinze anos, eles tinham a fórmula perfeita que traria a população mundial de volta às suas raízes amorosas. Outros cinco e todas as pessoas acima de dezoito anos ao redor do globo tinha sofrido suas intervenções.
Acrescente outros quinze anos para que as mudanças passassem a ser visíveis – as florestas estavam crescendo, a distribuição populacional acontecendo com mais sabedoria, os países sendo governados com coração aberto, confiança.
O caminho era firme, aquela estagiária de apenas vinte anos estava certa e o mundo finalmente encontrava seu rumo. A garota virou um exemplo tão forte que era quase uma lenda. Ela nos salvou.

Talvez.
Pena que eu não acredito nela.

———————-

Eu tenho a impressão que essa história é muito ruim??? Então, por favor, me digam tudo que vocês acham dela da forma mais sincera (e educada) possível. Quero transformar em livro, por isso preciso de todos os toques possíveis. Quaisquer dúvidas, bring it on!
Obrigada desde já!

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4 responses to “Éden – Capítulo 1

  1. OMG Tudo que tenho a dizer é: OH MY GOD. Eu curti. +QD+ (olha eu sendo sem sentido, as usual) Enfim, eu acho que tem grade potencial e não, a história não é ruim. E CAMBS SEM CAPS NÃO É CAMBS E QUE QUERO O PRÓXIMO, BEIJINHOS.

  2. Cara, medo do que vem. Porque sinto que você já vai começar na ruína.
    A ideia é boa, o desenvolvimento é que pede aquela velocidade nível Riordan (até porque o que me mata em distopias é o ritmo ¬¬), mas eu confio em você.

  3. Concordo com tudo o que a Agatha disse. E adorei o jeitinho da narradora já (me lembrou um pouco o estilo do Douglas Adams por algum motivo).

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