Amor às Avessas – Capítulo 8

CABOU =(
Espero que tenham gostado tanto quanto eu. Obrigada a todos que acompanharam. Nos encontraremos novamente, pisc/

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Capítulo 8

Em Nova York, mudei meu email, meu número de celular e mal tinha tempo para entrar nas redes sociais. O tempo passou sem eu perceber e, quando vi, já era hora de comprar o presente de casamento da Lena e escrever minhas desculpas.
Mandei um email para minha mãe dando as coordenadas para comprar exatamente o presente certo e enviei uma mensagem de texto avisando para que ela checasse o email. Quando recebi a confirmação dela, coloquei a carta no correio.
Por desencargo de consciência, eu não conseguiria voltar para o casamento de qualquer forma. O mundo de Wall Street é selvagem, não se pode dormir no ponto e, além de tudo, minha tese estava quase pronta. Se eu mantivesse o ritmo, conseguiria voltar para o Brasil para defendê-la antes do natal.
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Amor às Avessas – Capítulo 7

Penúltimo capítulo. Amanhã sai o gran finale. x

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Capítulo 7

Na virada de ano, embora eu não estivesse muito afim, aceitei o convite de Lenora para ficar na casa dela. Eu viajaria no dia 2 de janeiro e estava ficando na casa dos meus pais, que fica a poucos quarteirões do prédio dela. Fui à pés mesmo e quando cheguei lá, fui recebida com um coro de “All you need is love” emocionado. Tinha gente até da minha turma da graduação ali e fiquei um tempão só para cumprimentar todo mundo. Eu não tinha ideia de como Lena conseguiu colocar tanta gente naquele apartamentinho dela, nem como ela conseguiu convencer todo mundo a passar o ano novo na nossa cidade, mas fiquei muito feliz.
Parecia que aquela era a noite da sobriedade e pouca gente bebeu mais que uma lata de cerveja e um pouco de vinho. Lenora me abraçou longamente e pela sua respiração eu podia dizer que ela estava se esforçando para não chorar. Eu entendia o sentimento. Eu mesma estava me esforçando muito para não me debulhar em lágrimas todos os dias por todas as mudanças em minha vida e tudo que eu tinha que deixar para trás, mesmo sabendo que era o melhor a ser feito.
“Não importa, Helô.” Ela sussurrou e olhou nos meus olhos. “Eu amo você.”
Sorri. Se ela soubesse de metade, acho que importaria. Mas se você olhar de perto vai perceber que não importa mesmo. É difícil chegar a conclusões quando nada realmente aconteceu.
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Amor às Avessas – Capítulo 6

Capítulo 6

Tive a resposta para meus problemas rápido, se for pensar no assunto.
Seis meses após começar meu doutorado, com a mente ocupada por números do mercado de ações e cotações do dólar, recebi uma proposta que mudaria minha vida profissional para sempre.
E minha vida pessoal também.

Distraidamente, eu digitava em meu tablet a setlist que usaríamos na festa de noivado de Lena e Miguel quando Murilo estalou os dedos na frente do meu rosto.
“Heloisa.” Ele chamou com firmeza e sentou ao meu lado. “O que está acontecendo?”
“Eu não consigo pensar em uma música de transição entre as agitadas e as baladas.” Falei, apontando a lista que havíamos montado.
“Não estou falando disso.” Ele disse com firmeza. “Faz mais de mês que você está distante e nunca fala o que se passa.”
Suspirei.
“É que estou pensando no assunto e não quero falar nada que não seja concreto.” Olhei bem nos olhos dele. “Prometo que conto quando for a hora certa.
Ele olhou para mim por um longo instante antes de decidir se acreditava em mim ou não e relaxou os ombros. Era doloroso saber que nós nos conhecíamos tão bem, éramos tão íntimos, mas que eu não conseguia gostar dele do jeito certo. Cedo ou tarde ele se cansaria de mim, por isso minha decisão era importante para ele também.
Decisões, decisões.
“Como pode a maior fã de Metric não ter posto sua música preferida na setlist?” ele disse num tom indignado e eu sorri. “É uma ponte boa o suficiente, eu acho.”
Concordei e escrevi o nome da canção no lugar certo.
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Amor às Avessas – Capítulo 5

Capítulo 5

Não passei anos e anos amargando em solidão. Eu tinha meu trunfo e ele morava na mesma república que o Miguel.

Murilo Amaral, do alto de seus dois metros de altura, levava a vida numa tranquilidade baiana inspiradora. Eis sua história: se não tivesse entrado na faculdade, estaria hoje na seleção masculina de basquete.
Ele é loiro, toca violão e faz aquele curso bom para os olhos chamado Engenharia Química. Não usa drogas, porque ele diz que atrapalha seu raciocínio, mas bebe uma cerveja de vez em quando. Na maioria do tempo, eu não conseguia levar a sério o que ele falava, porque o sotaque dele é tão engraçado. É por isso que só saquei que ele estava afim de mim quando o nível de toques estava bem elevado.
(não sei vocês, mas eu só encosto em alguém quando acho necessário – seja necessário para mim ou para o contexto do assunto – e Murilo gostava bastante de me tocar – sua mão em meu ombro, em minhas costas é uma lembrança bem clara do início)
Os sinais eram evidentes e aproveitei minha chance dois anos atrás numa chopada dos bixos que rolou na rep deles, na qual fui convidada a cantar com a banda do Murilo. E cara, se não rolar clima ao som de Sick Muse do Metric, então não vai rolar clima em momento algum.
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Amor às Avessas – Capítulo 4

Capítulo 4

Eu saí do serviço e fui direto para o apartamento da Lena numa tarde antes do carnaval. Eu tinha que contar para ela que havia passado no doutorado e pedido as contas no atual emprego. Ela me recebeu com a notícia.
“HELÔ! Eu vou casar!”
Arregalei os olhos surpresa e ela ergueu a mão direita onde exibia um belo anel dourado.
“A gente almoçou naquele restaurante mexicano e ele propôs! Eu ia contar para você imediatamente, mas vi sua mensagem sobre vir aqui, meu Deus, entra, eu estou tão empolgada!”
Percebi.
“É claro que nós não vamos contar pra todo mundo agora.” Ela prosseguiu depois que eu entrei e fui para o bar encher duas taças de vinho. “Nós vamos esperar eu terminar minha residência, então… lá para outubro, se prepare para a festa!”
Ela estava tão feliz. Não tinha como não ficar contente com ela. Nós brindamos.
“Parabéns.” Consegui falar, porque ela parara de tagarelar por um instante. “É um feito e tanto.”
Lenora parou de frente para mim, os olhos brilhando.
“Lô-Lô.” Ela disse num tom suave, mais parecido com como ela geralmente falava. “Eu quero que você seja minha madrinha.”
Foi exatamente nesse momento que meus olhos encheram de água e comecei a chorar. Lena sorriu.
“O quê? Helô, tem que ser você! Por acaso achou que eu não a chamaria?”
Respirei fundo.
“Nunca se sabe, não é?”
Ela colocou as mãos em meus ombros.
“Sua tonta. Você é minha melhor amiga. É claro que você tem que estar lá. Pode faltar todo mundo, mas você não. Você é obrigada a ir. Eu preciso que você vá.”
Sorri, porque eu sabia muito bem que aquilo aconteceria. Nós nunca dissemos uma palavra sobre o assunto, mas sempre ficou implícito que ela seria minha madrinha de casamento e eu a dela.
“E eu vou estar lá, é claro.”
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Amor às Avessas – Capítulo 3

Capítulo 3

Miguel Bueno tem a pele naquele tom lindo de moreno que fazia seus olhos verdes chamarem mais atenção que o humanamente tolerável. Quando ele sorria – o que era freqüente – as covinhas marcavam suas bochechas deixando-o mais intolerável ainda.
Na época em que nos conhecemos, ele tinha cabelos compridos e cacheados castanho-dourado como sua pele, mas que cortou baixinho alguns meses depois. Ele é engraçado, amigável, doce, intimo e, para completar, para piorar tudo, alto. Alto o suficiente para mim.
Miguel Bueno era minha ruína.
I knew you were trouble the moment you walked in.
Não, mentira. Eu nem sequer ouvi essa música. (sério) E eu não soube.
Mas o rosto injustamente lindo dele ajudou meu cérebro e ovários idiota a decidir que era hora de se apaixonar.
Ai, que tolice.
A maior estupidez do mundo que eu devia mandar embora da minha vida. E não consigo, acho que já contei essa parte.
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Amor às Avessas – Capítulo 2

Capítulo 2

Lena sempre foi minha referência de beleza. Eu sempre olhei-a e soube que ela era muito mais bonita que eu. Todos amam Lenora Pavão. Eu a amo.
Sei que ela não quis que Miguel se apaixonasse por ela, sei que nem tentou fazê-lo se apaixonar. Aconteceu e eu entendo. Porque ele escolheria a mim quando ela está bem aqui?
Não é autopiedade, nem quero ninguém sentindo pena de mim. São apenas fatos.
Não entenda errado.
Faz sentido – o que, porque aconteceu.
É só que… cara… eu queria muito que as coisas virassem ao meu favor só dessa vez.
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