Marcela – XII

Lembram disso aqui? Não, né? Só a Agatha ta lendo. Anyway.

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IDADE 16
Caíque, Felipe, Vitor, Brendon, Nicolas. São muitos os nomes na lista dela. Os rumores diziam que Marcela era um tipo perigoso de “fácil”. As outras garotas da ONG que ela participava sabiam que ela era carismática e manipuladora e sabiam que, acima de tudo, era difícil não gostar dela. Característica de quem é bom no que faz.
Mas alguns diziam que ela não seria metade do que era sem a prima. E disseram depois que a prima pagou por isso.

Marcela – XI

IDADE 15
Horas mais tarde, no quarto de Rafaela, enquanto apertava um dos bichinhos de pelúcia da prima, Marcela perguntou.
– Quando foi que a gente parou de compartilhar nossos segredos?
Rafa olhou para a prima como se fosse óbvio.
– Quando você surtou por causa da “traição” do Johnny e deixou de ouvir a voz da razão. Em outras palavras, a mim.
Elas se entreolharam e sorriram ao mesmo tempo.
– E há quanto tempo você está saindo com o Alexandre? Eu nem lembrava dele.
– Ah, sabe aquele curso que eu tive que fazer nas férias de julho? – Marcela confirmou com a cabeça. – Ele estava lá, era monitor. Está estudando numa escola chique do outro lado da cidade, ficou sabendo? – ela não deu chance de resposta. – Os anos geraram progresso,
Marcela riu uma gargalhada gostosa.
– Se você diz. – comentou, dando de ombros, e após alguns instantes acrescentou. – E como assim, você é a voz da razão?
E dessa vez, é Rafaela quem gargalha.

Marcela – X

Como ninguém ta lendo, me reservo o direito de postar ~quando eu quiser~ u_u

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IDADE 15
Aconteceu algo no verão em que Marcela completou 15 anos, mas não algo com ela.
Depois de passar a tarde no cinema, ela chegou em casa e foi cumprimentar a tia, que morava no mesmo quintal, só para dar de cara com um velho conhecido.
– Oi Marcela. – ele disse, com um sorriso de aparelho.
– Alexandre! Uau… – ela balançou a cabeça surpresa. – Faz um bom tempo.
Ela não gostava de guardar lembranças de Ale, porque ele era gordinho, tinha os dentes de leite gastos de cárie e – principalmente – a mordia desde que estavam no berçário 1. Mas agora ele estava magro e, a julgar pelo comprimento de suas pernas, bem alto. Seu cabelo preto caía em cachos na testa, os olhos escuros brilhavam brincalhões e o aparelho parecia estar ali por puro enfeite, porque os dentes estavam brancos e perfeitos.
– Uau! – ela repetiu, sem ter o que dizer. – O que traz você aqui…
Mas a chegada de Rafaela – saltitante e contente – a interrompeu.
– Ma-Ma! Lembra do Lê?
Aconteceu que, em algum momento, ela deixou de notar o que a prima fazia e não viu que Rafa reencontrara Alexandre e, Deus do céu, ele estava gato e eles estavam juntos.
Marcela prestou atenção em como a prima sentou ao lado de Alexandre, como ela deu as mãos para ele e como ela parecia feliz. Não conseguia lembrar ter visto a prima tão radiante.
– Lembro. – ela respondeu. – Faz tempo que isso está rolando?
– Mais ou menos. – Rafaela disse.
– Ela gosta de manter o mistério. – Alexandre completou, sorrindo para Rafa.
Marcela só pode concordar.

Marcela – IX

IDADE 14
Nos contos de fadas, quando o príncipe beija a princesa, o rumo da vida dela muda.
Marcela não queria mais pensar em Jonas como seu príncipe encantado, mas sabia que o beijo dele – aquele primeiro – mudou tudo. O feitiço havia se quebrado.
Ela não era ingênua (nem tanto), sabia que ele ficava com outras garotas, assim como ela ficava com outros garotos. Todo o trauma que o primeiro beijo causara foi superado e ela aprendeu bons métodos para conquistar um beijo de quem quisesse.
O problema é que ela se achava especial para ele, quando obviamente não era.
Dessa vez, os desencontros que tinham eram completamente propositais.

Marcela – VII

IDADE 14
Rafaela estava errada. Parcialmente. O problema das amantes não era ser um segredo (embora esse fosse um grande contra) – era ser “a outra”.
Johnny não queria namorar Marcela, ele só queria estar com ela. Extraoficialmente. E ela descobriu da pior forma que não era material de namoro.
Foi em uma passeata a favor do passe livro que ela achou tê-lo avistado em meio a multidão. Destemida, ela passou a manhã toda buscando-o com os olhos até vê-lo enroscado em outra garota – toda baixinha, petit, delicada, de longos cachos caramelados. A garota era o completo oposto de Marcela e, nos braços dele, ria e fazia pose, tocava-o como se fosse dela.
Era a tal namorada que a prima lhe alertara há muitos meses, mas que ela não via nem em fotos do facebook. (ou fingia não ver, ela não sabia de mais nada nesse ponto)
E a pior parte foi que ele a viu, sorriu e piscou como quem diz que seria vez dela em breve, como se ela fosse algum brinquedo à disposição dele.

Marcela – VI

Se você der uma olhadinha aqui, você vai ver que a Thayná fez um banner lindo para essa série de contos *-*

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IDADE 14
No ensino médio, ela se tornou o que os filmes adolescentes gostam de chamar “mean girl”. Ela era aquela que não sabiam muito bem como chegara ali, mas que exercia bem seu papel.
Marcela tinha plena consciência de como ganhara sua posição no topo da cadeia alimentar escolar: Rafaela. A prima que era melhor que ela em todos os aspectos que poderia imaginar. A prima, que ela escutara muitas vezes ser definida como “dissimulada”, antes mesmo de saberem o que a palavra significa. A prima, que parecia incapaz de receber ódio alheio. A prima que ela sabia ser a melhor pessoa que ela já conheceu.
Foi por ser amiga da prima desde que se dava por gente que Marcela podia ser considerada um dos leões do colegial.

Marcela – V

Amanhã tem capítulo novo da Éden, não percam!

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IDADE 13
Ele gostava de chamá-la “amante”. Todos os desencontros que tiveram desde que deixaram de estudar juntos pareceram se extinguir e vira e mexe ele a encurralava nas ruas do bairro para roubar um beijo.
– Você sabe qual o problema das amantes, né? – a prima perguntou certo dia e completou, ao não receber resposta. – Amantes são segredo.